Quando
falamos de amor e de tempo, nos deparamos com duas medidas: a de eternidade –
por analogia - e a de finitude – por facticidade, respectivamente. Sim, por que
o que será o amor senão manifestação da infinita bondade de Deus? O que será o
amor senão esse ato supremo da vontade de Deus que permanece fiel a si mesmo? O
que será o amor senão a decisão eterna e a medida inexaurível da ação de Deus,
que se entrega a nós num movimento perene, absoluto, fazendo-nos capazes Dele
mesmo? O amor é justamente expressão do ser e do agir de Deus!
E
o tempo? Ah, que medida preciosa da graça de Deus que atua na criação e ordena
todas as coisas, segundo o seu transcurso, elevando-as à plenitude da
eternidade! Que revelação preciosa da ação de Deus, que é eterno, na finitude
de suas obras! O tempo é verdadeiro lugar de encontro com o Senhor;
constitui-se legítimo espaço de comunhão entre Deus e o homem à medida que,
pelo dom inefável da revelação Divina e pela livre adesão humana, deixa de ser
simples “passar” (“chronos”) e torna-se vislumbre do absoluto, eterno e
imutável (“kayrós”).
Mas,
e quando estas realidades do amor e do tempo parecem não se tocar, por causa de
nossas decisões? E quando se se deixa de considerar a envergadura e importância
totais de ambos e se passa a acreditar que se pode viver alheio de um ou de
outro? Quando a postura que se adota é essa, instrumentaliza-se a um e a outro.
Ambos são de importância absoluta para a correta integração do homem, enquanto
ser inteiro, voltado à eternidade, ao infinito; ao mesmo tempo que inteiramente
participante do mundo material. Se se prescinde de uma realidade ou de outra,
seja do amor, seja do tempo, fragmenta-se o homem. É bem verdade ainda que,
apesar do esforço por apresentar um e outro, não devem ser vistos como aspectos
dissociados. São, na verdade, realidades que se enlaçam, o amor e o tempo.















